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Mostrando postagens com marcador Jess Medina. Mostrar todas as postagens
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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Os verdadeiros filhos da esperança...


Quanto mais vivo, mas vejo o quanto o homem é egoísta , o quanto ele não acredita nem em si mesmo. Esperançosos são os cachorros, que ainda acreditam na fidelidade do homem, no seu companheirismo e fazem de tudo pra proteger o seu próximo e demonstrar afeto, ao contrário dessa humanidade individualista que reclama tanto da solidão, mas que no fundo, prefere viver sozinha a dividir o seu com o proximo. E esse egoismo que vem nos matando a cada dia, que está nos distanciando uns dos outros, de forma rápida e sorrateira, está nos AUTODESTRUINDO amigos. É uma desumanização imensurável e sem luz no fim do túnel. Do que adianta essa busca por companheirismo se não sabemos valorizar nem de longe algo do gênero? De que adianta bater no peito e falar de igualdade se apontam gays por serem gays? Do que adianta tambem abrir a boca para defender qualquer tipo de atitude ou ação se não conseguimos agir? Esses cães, teoricamente irracionais, valorizam o outro, o companheirismo, o amor ao próximo, defendendo quem amam sem medir os perigos e esforços que isso envolve. Já nós, seres que se dizem estupidamente evoluídos, somos tão cegos a ponto de achar que com essas atitudes individualistas e egoístas só se ganha.
Mas é o contrário queridos, só se perde. E para saber disso tudo, não é necessário experiência alguma, basta olhar pro lado.

Homens ou cachorros?

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segunda-feira, 27 de junho de 2011

De gota em gota...

Ok, o post de hoje chegou atrasado, sorry! 
Justifico: Estava no caminho de volta a São Paulo, fui passar o fim de semana em BH, não é que a namorada conseguiu me arrancar de SP bem no fim de semana da Parada Gay? #Ciúmes.

Brincadeiras a parte, apesar da idéia do post não ser essa, estamos ainda em clima de Orgulho Gay e vou contar um pouco do que vi em BH, o que me deixou boquiaberta! rs.
Estávamos nós, lindas e apaixonadas, bem na praça da Gloria bancando o casal junto há anos, vivendo numa rotina  certinha, parando o carro e passeando pela praça. Antes de sair do carro comecei a perceber alguns casais gays passando de mãos dadas, meninas e meninos, o que já é um progresso pra cidade mineira, tão religiosa e fechada. Ok, saímos, fomos andar pela enorme e linda praça - que eu amo, dia-se de passagem. Foi num lado da praça que vi os casais se pegando. Ficamos pasmas, as meninas se beijando, sentadas numa posição meeega sexy, e os meninos mega fofinhos no colo. Não bastasse isso, quando seguimos em direção a rodoviária de BH, vários grupos gls se beijando em bares. Bom, essa lorota introdutória termina aqui.
Porque faço questão de contar? Porque embora o preconceito e a intolerância existam, ele está mais escondido em alguns lugares, em algumas situações. Não vi caras feias, embora muitos dos casais fossem héteros, eles agiam naturalmente, como deve ser.
Sim, a mudança ainda não é total e concerteza é pequena. Mas simboliza esperança. Sei que saí de Minas com um fio a mais na teia da esperança, acreditando que ainda que pouco, as coisas estão andando, que poderei andar de mãos dadas com a minha mulher e futuramente nossos filhos serão mais aceitos que os filhos de amigas hoje.
É isso amigos, a mudança é pequena, mas está acontecendo.
Viva a diversidade. 

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segunda-feira, 20 de junho de 2011

E que venham os espinhos

Você acaba de se descobrir, não há mais como negar: É lésbica. No começo é sempre assim, alegria, medo, sorrisos solitários sem motivo, aquele brilho no olhar, empolgação, vontade de encontrar AQUELA garota que dará sentido a sua vida, que fará ter certeza que você não veio aqui a passeio. Então você a encontra, e tudo na sua vida se ilumina, e até se o gato da vizinha for atropelado na rua você ri. Crueldade? Não. Nem síndrome da Yvone tambem. É felicidade interior, é Paixão. Aquela coisa arrebatadora que te deixa sem ar, mas que você não sente falta tambem, que deixa você flutuando de forma que esqueça como é andar com os pés no chão, que te faz sorrir, que te lembra ELA, em qualquer música que escutar. Você sabe que é ELA. Ela é quem você esperou a vida toda. Ela é quem você sonhou desde o momento em que aceitou o fato de ser homossexual.
E no meio desse turbilhão de emoções, surge uma coragem desenfreada e você assume tudo pra sua família.
Antes de contar, sua vida estava um mar de rosas. Flores, Flores, Flores.
Agora... Espinhos! A família não reagiu bem, alguns "amigos" estão te olhando diferente e se afastaram de você. Alguns aceitam logo de cara, mas depois de pouco tempo, "mostram as unhas".
É comum que nesse período, você pense em recuar, voltar atrás, ceder as chantagens emocionais de familiares e amigos intimos, terminar seu namoro e "tentar" repensar o assunto.
E é aí que está o erro; Homossexualidade não é um "assunto repensável".
Lembro-me que quando contei a uma de minhas amigas sobre minha homossexualidade, ela me atirou a pergunta: "Ah Jess, tem certeza? Não tem volta? É irreversível?"
Perguntei-me se ela me achava doente, em coma, ou coisa do tipo. Como assim irreversível?
Ao contrário do que a maioria pensa e fala, homossexualidade não é uma OPÇÃO, e sim uma orientação.
Seres humanos, normais e capazes como outros quaisquer, que sentem atração por pessoas do mesmo sexo.
Fácil nunca é, nunca será amiga. Mas acredite, recuar e tentar repensar, com medo dos espinhos que podem furar suas mãos, é o maior erro que se pode cometer. Logo você mostra que nem mesmo você tem certeza do que sente. E que é "REVERSÍVEL". Curável.
Entenda que mesmo depois de tantas decepções e sofrimentos, sua vida ainda é uma linda flor, e por mais que os espinhos possam machucar, ela AINDA É UMA FLOR.
Encare. Não recue, não desista, persista. Siga em frente. Não ceda. Seja feliz, SEJA VOCÊ.
Olhe para a situação e diga pra si mesma: E QUE VENHAM OS ESPINHOS!

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Parem o mundo, eu quero descer!

Em primeiro lugar eh importante lembrar que nao tenho nada contra evangelicos, mesmo porque tenho amigas lesbicas que sao evangelicas. Mas essa semana fiquei muito decepcionada com o surto de videos contra a plc 122 que circularam na internet e ainda as manifestacoes publicas contra a mesma. De um lado, a marcha evangelica afirma que somos aberracoes, de outro, nos, homossexuais, so queremos direitos como qualquer cidadao. Evangelicos afimando que homossexuais sao pedofilos, promiscuos e nao podem nem citar versos biblicos, que vamos pro inferno, que nao temos direito ao ceu. Sim, isso me abalou demais, e me desesperou pensar que quero ter filhos pra colocar nesse mundo. As vezes me bate esse desespero.. Como minha filha sera tratada na escola? O que meu filho vai ouvir numa escolinha de futebol por ser filho de duas maes? Como sera no futuro? O que ele nos reserva?


Eh inaceitavel que pessoas sejam rotuladas por religiao, orientacao sexual, cor, raca..

E falo isso de uma forma geral, porque a sociedade em si eh preconceituosa e nao esta pronta. Veja so, em plena meada de 2011 negros ainda sofrem preconceito racial. Eu sou decendente de indio com negros e brancos e tenho muito orgulho dessa mistura! Somos iguais aos ohos do pai, Ele, que podia ter criado todos iguais, fez todos diferentes, porque Ele, ama o diferente! Ama a diversidade. Fez toda uma humanidade diversificada, cores diferentes, cabelos diferentes, olhinhos de uma cor, outros de outra.. Alguns com cada olho num tom, e isso eh LINDO! Somos lindas e perfeitas criacoes do Senhor, Ah! E que orgulho tenho disso! Como eh bom ser criatura Dele, esse Deus lindo, sensivel e amoroso que deu o sangue do seu filhinho unico por mim e por voce, sem se importar se eu sou mulher e gosto de mulher, se vc eh homem e gosta de homem. Sim, Deus nos ama. Ama a todos, e passou da hora dessa gente entender isso, que ele nao ama exclusivamente um grupo, ama a TODOS.

O que me impulsiona e me faz seguir em frente? Os bons sao maioria.

Sempre serao. No fim de tudo, o AMOR VENCERA.

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Pagina em branco: O que eu quero ser..


As vezes me pego pensando na vida. Não na minha vida em especial, mas NA VIDA. Nessa coisa tão preciosa para alguns, menos importante para outros, mas que a grande maioria tem medo de perder. Vida. Qual seu verdadeiro sentido? Porque e para que estamos aqui?
Quando era adolescente, antes da internet e dos emails invadirem as vidas das meninas da minha idade, trocávamos cartinhas ao invés de emails. Cartinhas cheias de amizade e carinho. Algumas, guardo comigo até hoje. E numa delas, uma de minhas amigas me escreveu que a vida poderia ser comparada a uma folha, uma folha de diário ou de um simples caderno, em branco, sem nenhuma linha. Uma folha onde você mesmo vai escrevendo sua vida, dia após dia.
Hoje, aos 20 anos, reli essa cartinha e vi quantos significados e verdades ela traz.
A vida de fato pode ser comparada a uma página em branco. Aliás, é isso que ela me parece. Uma página, uma caneta, e você. As linhas não serão escritas exatamente como você gostaria, algumas virão do mundo e das circunstancias que o envolvem. Mas muitas dessas linhas a serem preenchidas estão no seu controle, e sobre isso, há algumas coisas que você precisa saber, precisa entender querida/querido. Escreva nesse diário preenchendo suas páginas com palavras do seu coração, não palavras vindas da raiva, da boca pra fora, palavras vazias. Escreva com palavras da alma. Acredite e lute por seus sonhos, queira, sonhe, faça dar certo, faça acontecer. Trabalhe com empenho, coloque amor e dedicação numa mínima coisinha. Seja boa/bom. Divirta-se. Encontre forças, mesmo que tenha que tirá-las de onde nada tens. Seja verdadeira. Tenha fé, ainda que muitos se comportem de maneira que a faça desacreditar. Não se concentre nem perco tempo com coisas que você não tem, não sofra por antecedencia, mas tambem não adie o sofrimento. A dor existe e em algumas situações ela é bem vinda. Ajuda a amadurecer. As lágrimas são para serem choradas, assim como a comida existe para matar a sua fome. Chore. E não sinta vergonha disso.
Dedique um espaço especial as pessoas que te cercam, sejam familia ou amigos. Um amor pra quem tem. Pessoas são tesouros, e você certamente tem os seus, basta olhar ao seu redor.
No diário da sua vida, da nossa vida, algumas páginas serão de tristeza, outras de alegria. Mistério, fé, descrença, dor, alegria, tristeza, felicidade, amor, solidão. Mas não pule nenhuma página, não salte nenhum dos "capítulos". Porque tenho certeza de que muitos, são os finais felizes.
Pulando as páginas você pode perdê-los.

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Criancas e Homossexualidade..

Crianças são muito mais inteligentes e sensitivas do que a grande maioria pensa. Elas são capazes de entender quase tudo, desde que ensinadas. De acordo com psicólogos especializados, a partir dos cinco anos elas começam a assimilar a sexualidade, ou seja, são perfeitamente capazes de entender que o pai ou a mãe, sejam homossexuais, ou o porque ela tem duas mães, dois pais, enfim, é capaz de entender que são um casal, não amigas/amigos.
Crianças não são preconceituosas, aceitam as pessoas pelo que elas são, pelo carinho que transmitem a elas, e não baseadas em protocolos e etiquetas da sociedade, no entanto, muitas famílias não usam essa pureza para ensiná-las a aceitar o "Diferente". A grande maioria é criada para se tornar um cidadão homofóbico e intolerante. E nós fazemos isso o tempo todo, rotulando o que ele pode e o que não pode, o que é certo e o que é pecado. Com aquele amiguinho pode brincar, mas na casa daquele não deve ir. Podemos e devemos ensinar as crianças que o que importa realmente é o caráter, a responsabilidade e acima de tudo o respeito.
Mentir e enganá-las não ajuda na educação, nem as poupa de nada. Minha irmã caçula tem 9 anos e sempre adorou a minha namorada, e confesso que eu temia que o carinho, o apego que ela tem pela Andrezza terminassem quando descobrisse que ela não era exatamente uma "amiga" da Jess. Minha mãe me fez prometer que eu não ia contar, porque a Bia era apenas um "bebê". Ela é uma menina muito meiga e cheia dessas histórias de principe encantado, diz que vai ser rica, que vai ter isso e aquilo, enfim.. É uma princesinha mesmo, e nessa fantasia de sua idade, ela atribuia os sonhos dela a mim tambem; Dizia que eu iria encontrar um homem tão lindo quanto o Zac Efron (ela o ama!) E ia casar e ser feliz para sempre. E deixá-la naquela ilusão me dava medo. Medo do tamanho de sua decepção, caso eu deixasse o tempo passar sem dizer a verdade. Então decidi. Chega de omitir. Começamos a conversar e eu disparei pra ela: "Bia, o que você pensa das pessoas homossexuais?" Ela: "Tipo, gay?" Sim..
A resposta que eu ouvi vai ficar em mim para sempre: "Eu penso que eles devem lutar pelo direito de cidadãos e seres humanos comuns que são, porque gostar de menino ou menina não significa nada além disso: Gostar de menino ou menina! Eu acho horrivel quando eles não podem se assumir pra familia por saberem que a familia não vai aceitar ou até mandar embora de casa. Fico triste em saber que a maioria é preconceituosa e maltrata os gays por se acharem melhor que eles, mas a verdade é que somos todos iguais, não é Jess? Eu SUPER APOIO as pessoas gays, elas são lindas!"
Fiquei sem palavras. Chorei. Perguntei a ela se ela pensaria a mesma coisa caso uma irmã ou irmão fosse gay. E a Bia, o "bebê" que a minha mãe julgava inocente demais para saber da homossexualidade da irmã, foi a primeira pessoa que riu com naturalidade e disse que me amava acima de qualquer coisa. Quando eu disse que namorava a Andrezza, ela disse: "Nossa, que legal, agora além de amigas vocês são o que? Tipo noiva uma da outra? Isso é tão moderno e chique!"  RSRS... Ela é assim, quem conhece sabe. Outro dia ela conversou com a Andrezza e disse que nós éramos um casal.. Procuro deixar ela sempre por dentro de planos e alguns sonhos, e hoje em dia ela faz perguntas do tipo: Quando vocês casarem, eu posso ser a daminha? E tipo, as duas vão usar vestidões? Quem é que vai engravidar? Que tal as duas terem cada uma um bebê? Posso dar o nome? Pode ser Laura e Sophia? (Ela ama esses nomes!).. RSRS.. Outro dia uma amiguinha da escola disse a ela: Sua irmã é sapatão! E a professora me disse que ela virou naturalmente e disse: E daí?
Fiz meu papel de irmã mais velha, semeei a semente da tolerância e amor ao próximo, independente de sexualidade ou qualquer outra característica. Tenho certeza de que contribuí para o mundo, ajudando a educar uma pequena cidadã que formará a sociedade futura.

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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Quem fica no carona, não pode reclamar!

Quando você é menor de idade e se assume, as chantagens geralmente são todas voltadas para o lado financeiro. Você fica entre manter seu padrão de vida e viver sua sexualidade, agora, assumida.
Os pais saem da fase de negação e começam a cortar tudo que é regalia, mesada, dinheiro do lanche, passeios, cinema e qualquer outra coisa que envolva dinheiro. Dependendo da cabeça deles, cortam até mesmo escolas particulares e cursinhos. Fazem tudo isso na tentativa de fazer o filho/filha enxergar o quanto ele perde ao ser gay. Acreditando piamente que isso é uma escolha, fase ou coisa do tipo, vêem nessa chantagem uma solução. Ou, acham que vêem. A verdade é que no fundo os mesmos sabem que não funcionará. É tudo uma grande fuga. Querem fugir do que está acontecendo, mentir para si mesmos, fazer de conta que tudo vai passar.
A convivência, que já não estava boa, fica péssima, já que eles decidiram se trancar no armário do preconceito.
E quando somos maiores e independentes financeiramente? Existe chantagem Jess?
Sim. Existe. Infelizmente.
E quando não há mesadas e passeios para tirar, a chantagem se torna totalmente emocional, e eles começam a nos tirar partes de nossas vidas. É comum nesse período você ouvir frases do tipo "Ou ele/ela ou sua familia"... "Se sair de casa pra morar com ele/ela as portas estarão fechadas pra você, não precisa voltar..."
E lendo assim, parece que temos a resposta na ponta da lingua né? Dificil mesmo é pra quem passa por isso.
E é o que tem acontecido comigo no momento queridos. Dentre todo o preconceito da minha familia, essa chantagem é o que mais mexe comigo. Como reagir? Como escolher entre um amor e uma mãe? Como sair de casa mesmo sabendo que caso tenha de voltar, não encontrará mais portas abertas e braços estendidos para te consolar? Sim, é dificil.
Mas volto no ponto que eu mais debato sempre por aqui ou em qualquer lugar onde eu escreva: Tenha certeza! Seja firme em suas escolhas e decisões.
"Ah Jess, como vou sair de casa se minha mãe diz que eu não terei mais familia?"
Se a sua saída é uma decisão séria e necessária, se não dá mais pra ficar, se você já tentou de todas as formas uma, duas ou mil conversas e elas sempre resultam em nada, seja firme, pense e repense muitas vezes nas consequencias, e se ainda assim achar que deve sair, saia. Toda ação tem uma reação, saiba disso. Tudo na vida tem consequencias, e com você não será diferente.
O que você não pode é passar o resto da vida em função da vontade dos outros. Quem fica sentado e calado no banco do carona não pode reclamar se o caminho escolhido não for o que gostaria. Saia do banco de trás e passe para o volante de sua própria vida. Todo mundo tem medos. Eu tambem os tenho, e confesso, são maiores agora. Mas cabe à nós administrar medos e problemas, antes que eles nos administrem. 

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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Esperança... De gota em gota!

Semana passada tive uns contratempos e não tive chance alguma de aparecer pessoas, sorry!
Mas volto essa semana com um fio a mais na teia da esperança...

Foi aprovada no Brasil a lei que permite a nós, homossexuais, casar. Sim, a união homoafetiva estável já é reconhecida pela justiça, dando a casais gays, benefícios como qualquer outro casal heterossexual, como pensão em caso de seperação ou morte do cônjugue, herança, comunhão de bens e previdência. E nossos corações se enxem de alegria, sabemos que muitos são contra e não foram poucos que torceram a cara para a aprovação da lei. Em minha casa minha mãe acha que é o "fim dos tempos", conhecidos dizem que é o tempo do anticristo e por aí vai...

A verdade? É que a cada dia, ainda que de pouquinho em pouquinho, nós ganhamos voz... Mais e mais pessoas reconhecem que merecemos o direito de construir uma familia e ser feliz sendo apenas quem somos; Homens que amam homens, mulheres que amam mulheres, e que só querem uma espaço na sociedade.
Devo confessar que minha falta de crença na sociedade brasileira tem diminuído, sem esquecer de citar tambem que o SBT exibiu o primeiro beijo gay da história da tv aberta.



Enfim, hoje eu queria mesmo era compartilhar com vocês o que tem passado em minha cabeça em relação a tudo isso... Semana que vem a Boleros de Papel segue normalmente...

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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Alice no país do Preconceito!

Sim, sei que o assunto é polêmico. Mas há tempos quero falar sobre e não encontro a deixa. Sou católica. E namoro uma moça super católica tambem. Na semana santa estava eu super envolvida em minhas programações religiosas, quando rejeitei alguns convites de amigos para baladas, churrascos e afins...
Quando perguntada sobre o motivo, fui clara:Vou a programação da igreja!
Que igreja você vai? Católica. Hã? Como assim? Você não é.. Lésbica?
Sim. Lésbica e católica. Porque não?
Fico admirada de ver como as pessoas diminuem Deus até ele caber dentro de seus conceitos miúdos e inúteis.
Não há preconceito tão grande quanto o dos próprios "cristãos". Na casa do Senhor é que somos olhados de maneira diferente, recebemos um olhar de reprovação, e até deixamos de receber uma saudação da "Paz de Cristo" quando sabem da nossa homossexualidade.
E vejam que ironia: Jesus, nosso único e eterno salvador, não escolhia quem abençoar. Pousou na casa de Zaqueu, o cobrador injusto. Foi sempre amável e ensinou a maior lição de todos os tempos: Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado.
O segredo é não desistir. Não deixar de ir à casa Dele porque alguns de seus filhos não te aceitam, Ele te aceita. Não deixar de fazer por Ele o que seu coração pede porque os "cristãos" não te fazem sentir bem vindo. Ele, ama quando te vê lá!
Somos criaturas Dele. Eu sou criação Dele e estou orgulhosa disso.
Nada de vergonha nem de deixar Jesus por uns poucos falsos cristãos. Ele nos ama sim amigos.
Acredito que muitos como eu tambem se sintam assim em relação a sua sexualidade e a igreja, seja ela católica ou evangélica. Mas nessa longa caminhada, uma coisa é certa: Ninguém nos ama como Ele!

"Ninguém te ama como eu... Olho pra cruz e essa é a minha grande prova.... Ninguém te ama como eu!"

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segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Não era isso que eu queria pra você..."



"Não era isso que eu queria pra você.."
Essa é uma das frases mais faladas pelos pais. Essa semana ouvi isso em minha casa e confesso que não foi pequena a vontade de sumir dali.
Familias tem essa mania incansável de querer sonhar seus sonhos por você e realizá-los tambem.
Tudo o que te envolve eles estão por dentro pra saber o que podem fazer, se podem palpitar ou não. Na vida de homossexuais, isso é dobrado. A grande maioria quer nos convencer de que estamos errados, e que no fundo, sabemos que estamos, e que se reconhecermos o fato, isso poderá ser mudado.
É verdade que tentamos ao máximo passar por cima disso, fingir que é apenas uma fase, que vai passar, que a familia vai aceitar, e blá blá blá... Mas até onde essa insistencia da familia interfere na nossa vida pessoal?
A sensação que dá é que toda a sua vida desapareceu depois que se assumiu homossexual. A boa aluna que você era? Desapareceu junto com as suas boas notas. A boa filha/filho? Foi embora, e dela/dele só restam lembranças... E quando restam! Nada compensa o fato de você ser gay na cabeça de alguns pais.
É preciso ter certeza de tudo em primeiro lugar. Se tens essa certeza, de quem és, do que quer pra sua vida, crie uma barreira para as opniões negativas em você. Não é fácil, mas procure ouvir somente o que for lhe acrescentar conhecimento e crescimento. Do mais, encare como uma fase, mesmo que no fundo, você saiba que não é só uma fase. Não deixe que o preconceito e a pressão da familia façam você retroceder. É o que eu tenho tentado fazer...

"O caminho é de pedras e espinhos, mas você é a flor de um jardim, e pode o vento açoitá-la a noite, mas a noite terá o seu fim..."

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segunda-feira, 18 de abril de 2011

É caminhando que se faz o caminho!

"O caminho é de pedras e espinhos, mas você é a flor de um jardim, e pode o vento açoitá-la a noite, mas a noite terá o seu fim..."



Guerrilha Constante

Alguns pais intolerantes vão transformando o assunto em uma série de agressões e cobranças e estão sempre pressionando os filhos usando de sua experiência de vida com muitos anos a frente deles para deixá-los confusos e balançados. Por isso repito, tenha certeza do que sente, e só depois assuma. Você tem certeza? Melhor saber responder isso a você mesmo, pois só assim você terá forças para seguir em frente. Todas essas discussões, agressões e intolerância serão horríveis para o homossexual, que já sofre isso o tempo todo no mundo lá fora e tudo o que ele queria era o apoio das pessoas que mais ama.

A maioria dos pais tem retrocessos e volta e meia dão passos para trás. É importante que quando você não vê progresso, procure outro caminho, como por exemplo, a independencia financeira. Jamais use de chantagem emocional, nada de dizer que vai sair da escola, se matar ou coisa parecida. Isso só vai dar uma idéia errada do que você está vivendo, ficarão crentes que o homossexualismo te transformou para o pior. Afinal, ninguém decide se matar porque é gay, então, paciência!

Faça o possível para mostrar a sua familia que você não está fazendo nada para contrariá-los ou trair a educação que lhe deram. Assim como você não teve opção ou escolha para aceitar que é gay, eles tambem terão de aceitar o que você sente.

Enfim, a tão sonhada ACEITAÇÃO.

Infelizmente, nem todos os pais conseguem chegar até aqui, em uma aceitação "total". Aliás, acho que uma aceitação total mesmo, nenhum pai consegue,nem mesmo aqueles mais compreensivos. Mas alguns chegarão bem perto disso, desse jeito, "meio sem jeito" deles de amar você assim, tão imensamente que querem que seus sonhos, sejam aqueles que eles mesmos sonharam para você. Esse amor que os faz querer não só sonhar, como realizar tudo por você. Acredite: Se pudessem, seus pais não deixariam que nada no mundo te machucasse ou chateasse. Se possível, que você não tivesse levado aquela queda que lhe fez chorar por algumas horas, mesmo o ralado do joelho sendo pequenininho. Aposto que eles tambem sentiram a dorzinha do joelho machucado. Sua mãe não queria que você tirasse as rodinhas da sua bicicleta nova por medo que caísse, e por isso é difícil para ela aceitar que você saiu do banco de trás, e foi para o volante de sua própria vida. Já dá passos sozinho, sem que eles precisem segurar sua mão ou cantar aquele musiquinha de ninar pra você dormir. E essa proteção e amor em excessos dificulta que eles aceitem que sua princesa, não quer mais que o principe da historinha leve a princesa para um lindo castelo, porque ela não gosta de principes, gosta de meninas. Seu pequeno galã, não conquistará uma princesa linda como seu pai sonhou, porque o pequeno galã agora é um homem crescido, embora guarde dentro dele aquele menininho do papai, e além disso, gosta de meninos. Nessa fase final, poucos pais chegarão. Alguns continuarão a amar seus filhos sem jamais aceitar sua sexualidade. Outros, porém,chegarão a se orgulhar da diferença do filho, e da coragem dele em se assumir. O pai perfeito para o homossexual com certeza seria aquele que se junta ao filho para lutar por uma sociedade mais receptiva a diversidade humana, que o ajuda numa luta interminável contra a homofobia e o machismo. Alguns até podem sentir repulsa por pertencer a um mundo tão cheio de preconceitos. Cada um aceita do seu jeito, alguns "daquele jeito, meio sem jeito". O importante é que o amor e o respeito não terminem e nem sejam colocados em duvida em momento algum. O importante mesmo, é ser feliz.

Espero que tenham gostado da pequena coluna, semana que vem tem novidades!

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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Mostre que o sonho foi modificado, não perdido




Então meninas, outro dia uma mocinha aqui me perguntou porque eu não escrevo o "Como contar aos pais" de uma só vez. O tema é um pouco delicado, e são tantas as fases, que prefiro realmente postar um pouco de cada vez. Mesmo porque, eu falo mais que um rádio, escrevo mais que uma máquina de escrever descontrolada, imaginem o tamanho dessa postagem? Se vocês juntarem todas as que estão marcadas por esse tema, dá muita coisa. Então realmente, não dá pra ser uma postagem só.


Bom, falamos na ultima sobre as diversas fases que passamos depois de contar aos pais; Choque, negação, culpa.


Hoje vou continuar a falar dessas fases.


Expressando-se: Agora, depois dessas três primeiras fases nada produtivas, porém, necessárias, os pais deixam o egoísmo de lado, e passam a prestar atenção em você. As conversas passam a ser mais elucidativas, esclarecedoras, e as coisas geralmente parecem ter mais nexo. Tudo começa a se ajeitar e fazer sentido na cabeça de ambos. Alguns pais tem facilidade de se expressar, outros não. Nessa fase eles tentarão fazer você entedê-los a qualquer custo, mas terás a compreenção deles, se você mostrar todo o amor e respeito que tem por eles, e deixar claro quevocê não fez uma escolha, e sim, seguiu seu coração. É uma fase marcada pela mágoa, raiva, desespero, muito choro, e é preciso ter pacência, pois tudo se expressa ao mesmo tempo.


Pode ser uma boa, se um deles, ou os dois, tiverem ajuda de fora, como um psicólogo. Mas essa ajuda não é para todos os pais, alguns conseguem entender sozinhos,mesmo que expressem todos esses sentimentos logo de cara.


Tomando decisões: Na medida que o trauma emocional passa, abre espaço para a razão. Os pais refletem e tomam decisões. É como se eles quisessem resolver de uma vez por todas um assunto que muito já foi discutido. Irmãos de gays pressionam muito eles nessa parte, podem ser grandes aliados, assim como parentes ou amigos próximos da família, se eles conversam com seus pais e dizem o quanto a convivência pode ser boa se eles aceitarem e enxergarem que seus filhos e filhas continuam sendo os queridos de sempre, só que com uma orientação sexual diferente, podem ajudar muito, afinal, seus pais estarão ouvindo uma outra visão, escutando uma pessoa que apoia, e que não é você. É realmente uma grande ajuda. Acreditem,já vi muitas opniões mudarem dessa forma. A principal preocupação dos pais, é com o preconceito da sociedade, o que os amigos e parentes irão falar, como a sociedade da qual eles fazem parte vão reagir ao saberem que eles tem uma filha lésbica, entenda, eles querem só o seu bem, mas muitos não querem de forma alguma "sair do armário" como pais de homossexuais. É muito importante que eles saibam que você precisa estudar, crescer na vida, porque isso faz parte dos sonhos deles pra você, então, se comprometa em não ser totalmente diferente, mostre que você pretende e vai ser uma boa pessoa, como eles tanto sonharam. Os pais podem vir a apoiar de diversas formas, seguindo o que eles acham ser suficiente. Alguns pais simplesmente cansam e passam a ignorar o assunto, decidem que não vão mais discutí-lo e pronto. Chegaram a seus limites, e não estão prontos para ultrapassá-los. Calma, isso não é totalmente negativo, pode ser até mesmo uma forma de aceitação, talvez eles no fundo não queriam isso pra ti, mas, como é assim que você é feliz, passam a respeitar e não se envolver. Mas pouco a pouco eles se abrem de novo. Mostre a eles que você os ama, que os entende, convide-os a conhecer seus amigos. Tudo com cautela é claro!


Na próxima semana terminamos!

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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Tentarão negar... O inegável



Decidiu mesmo? Ok.

Os pais irão sentir uma perda.

Os papéis serão invertidos. Quando você contar aos seus pais sobre a sua homossexualidade, eles é que terão de aprender contigo o que se passa com você. Ou seja, você vai na frente, e eles te acompanharão nas descobertas, considerando que você está muito a frente nesse processo de assimilação. Não vai ser fácil. Não pense que será tudo depressa, que será tudo simples. A maioria dos pais sentem uma perda indescritivel, sentem a perda de seus sonhos e projetos para os filhos,mesmo que eles sejam mais flexíveis, que acabem respeitando a sua orientação, mesmo assim eles se sentem meio perdidos, e tem a sensação de que perderam muito do que sonharam, as vezes, sentem a perda total do que eles queriam para você. Meus pais aceitaram muito bem, mas ainda assim, enxeram os olhos de lágrimas, e achavam que o que eu estava dizendo sobre a minha sexualidade significava que eu estava desistindo do jornalismo, estava desistindo de ser mãe, estava largando meus sonhos e projetos que eles tanto admiravam. É comum, sempre pensam que vamos ser influenciados. Mas o importante mesmo, é você mostrar a eles que não perderam a filha que sempre sonharam, mas que o sonho deles foi um pouco modificado, e que nem você nem eles tem culpa de ser diferentes, e que o seu sonho é ser aceito com seus sentimentos. Com compreenção, amor, e um jogo de ceder dos dois lados, a relação será recuperada, e muitas vezes melhorada. O mais importante é que eles entendam o valor que tem a sua honestidade em assumir tudo pra eles, e que você tambem os entenda, em suas fases "pós armário dos filhos".. Então você conta, ok.

E vem a fase 1: Choque.

Se seus pais não faziam a mínima idéia, eles concerteza irão sofrer um choque. É um momento de grande desgaste emocional, muito choro, e, às vezes, esse estado pode durar alguns dias. Você deve respeitar esse momento deles, nosso organismo produz esse estado para se proteger de grandes tensões e infelicidades. Se seus pais já desconfiavam, será um pouquinho mais fácil, a não ser que você tenha mentido sobre isso anteriormente quando eles te perguntaram. A mentira não é legal, se você não se sente a vontade para falar no assunto, diga apenas o fato em si, não vá contar experiências suas, envolvendo outras pessoas, afinal, muita gente não entende como os gays se amam, e muitos pais demoram muito tempo para entender que o amor que existe entre homossexuais, é o mesmo, tão comum e natural como entre qualquer casal heterossexual. Embora alguns deles até perguntem, a maioria não entende logo de cara.

Fase 2: Negação.

A negação ajuda as pessoas a se protegerem de mudanças, de uma mensagem ameaçadora ou dolorosa. Mas não se desespere, pois demonstra que a informação começa a ser assimilada. Esteja preparada para o que vai ouvir, as reações de negação, levam os pais a falarem coisas que você pode se sentir magoada, mas lembre-se que é um processo dificil pra eles. Serão coisas do tipo: "Não coloquei filho no mundo pra ser viado!" , "Prefiro uma filha p... do que sapatão!" (Acredite,eu já ouvi uma mãe dizer isso!) "Ah, é só uma fase, vai passar, ela só quer chamar a atenção...", entre outras frases, onde os pais demonstram ignorancia da realidade, indiferença ou rejeição. Outra forma de negação tambem é não darem ouvidos a você, mesmo quando se sentem provocados com o que você fala. Nessa fase os pais tentam ao máximo acreditar que os filhos na verdade, estão contra eles.

A realidade vai entrando pouco a pouco, e absorvendo essa verdade, vem uma fase dolorosa para eles, e tambem para você: A culpa.

Os pais insistem que fizeram algo de errado, que cometeram erros na sua criação, que não foram bons pais, que não educaram e ensinaram o suficiente, o que é um pouco perigoso até eu diria, porque eles passam a se acusar entre si. "Onde foi que eu errei", a mãe geralmente leva culpa por ter educado os filhos, e o pai se culpa por ter estado ausente. Quando os pais são separados, sentem-se muito mais culpados, e aquele que ficou com os filhos acha que foi falha sua. Nessa fase eu os acho egoístas. Porque se esquecem do que você sente completamente, e passam a procurar culpados, culpados para um "crime" que não existe.

Raramente eles se convencem de erraram, mesmo porque não é verdade, eles verão que a criação não teve nada haver com a sua orientação, e nada que eles pudessem ter feito de diferente iria te fazer menos gay. (Menos gay é ridiculo, eu sei.) Mas como toda fase, essa tambem passa, e pra saber que ela tá passando, é só esperar que eles deixem de culpar a si mesmos, e passem a culpar... você. Aí... Ok, próxima fase!

Mas essa conversa continua na próxima semana.. 

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segunda-feira, 28 de março de 2011

Antes de encarar as perguntas, questione a si mesmo


Não adianta acreditar piamente que "mãe aceita", e que você pode tirar a purpurina do potinho assim derrepente. Tenha paciência, lembra quando você não queria aceitar que era gay? Seus pais tambem não vão querer logo de cara, então.. Força na peruca!

É muito importante saber o que te espera quando pensa em contar aos pais sobre sua homossexualidade, assim você pode se antecipar e desmistificar o que eles terão como preconceito. Procure saber o que seus pais pensam sobre os homossexuais, muitos deles acham que todos são promiscuos, que são pervertidos, que ser homo é sinônimo de pedofilia. Colha ao máximo essas informações, jogando conversas leves, baseadas em noticias que surgem por acaso na tv, sondando para perceber o que eles pensam, qual é o grau do preconceito deles, e tente amenizar todos esses preconceitos ao máximo, para reduzir os danos, e o tempo em que eles ficarão "trancados" para discutir sobre o assunto assim que você contar a eles.

Geralmente a primeira reação é essa mesmo, eles não vão aceitar, e vão se trancar, vão fazer de conta que não é verdade, vão até te tratar bem em alguns casos, ignorando o que você contou, fingindo ter sido tudo um pesadelo. E se você tentar tocar no assunto novamente, eles não deixarão. Se fecharão para o assunto, e para você. Para contar a eles, é importante tambem perguntar a você mesma se é verdade o que vai contar. Tem certeza? Se você não está pronto para responder essa pergunta a si mesmo, então não conte, porque ela será uma das primeiras que vai ouvir. Se você está passando por um período de depressão, culpa, ainda tá na ilusão de que é pecado, que vai ser condenado, lançado no inferno e blá blá blá, tambem é um sinal claro de que ainda não é a hora.

Você tem um apoio? Tem estrutura? Está preparada? Saiba que muitos pais agem de uma forma tão áspera que tomam decisões radicais contra seus filhos. Eles podem agir de maneira inconsequente e até mesmo te expulsar de casa. Se isso acontecer, você tem para onde ir? Tem como se sustentar?

Alguns pais usam isso ridiculamente como uma arma, uma carta na manga, para manter os filhos dependentes,na falsa ilusão de que assim mudarão sua orientação, porque dependem deles pra tudo. Assim, na cabeça deles, você desistirá, e ficará em casa. Você sabe o que seus pais pensam sobre os homossexuais?

Tem algum na familia? Como está o clima na sua familia por causa disso? Se já tiver algum caso, e eles encararem como um "problema", certamente nem darão atenção para o mais recente.(No caso, o seu.)

Você é paciente? Sabe esperar? Porque o processo de aceitação, de assimilação, pode durar bastante tempo, e para ser direta, pode durar alguns anos!

Afinal, porque você quer contar? Porque você os ama, e precisa deles? Quer que eles conheçam tudo sobre a sua vida, que sejam seus amigos e saibam através de você mesma? Se a resposta foi sim, isso é um grande ponto a favor, e vale lembrar que você deve se esforçar para mostrar a eles que está contando isso, não na intenção de magoá-los ou afrontá-los, mas sim, porque você quer dividir um outro lado da sua vida com eles.

Saiba o momento propício de contar, nunca, em hipótese alguma, conte durante brigas ou discussões, ou em momentos que se sentir excluida da atenção deles, pois isso só vai demonstrar carência e imaturidade. Vai parecer que você fez para chamar a atenção, para ser o centro de todas as atenções da familia, o que não é verdade. Já ouviu a expressão "afofar o terreno" ? É antiga, eu sei. Mas que tal dar um livro de presente a eles? Um livro que fale exatamente sobre o convívio de pais com filhos homossexuais?

Um livro como, "Agora que você já sabe". Na internet tambem existem muitos textos sobre isso, que tal enviar por email? Imprimir e dar a eles como quem não quer nada? Para que eles comecem a se colocar no lugar daqueles pais, admirem pais que lutam contra o preconceito que cerca seus filhos homossexuais. Isso pode ajudar muito.

Se a sua relação com seus pais é saudável, vocês sempre compartilham sentimentos, momentos em familia, e sempre jogam aberto, há uma grande chance deles aceitarem com facilidade sua homossexualidade.

Se eles tem uma visão moralista para assuntos sociais, ainda que não os sigam sempre, você pode prever dificuldades nessa aceitação.
 
Continua na próxima semana...

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quinta-feira, 24 de março de 2011

O lamentável Adeus de Elisabeth Taylor

Esse não foi o assunto planejado para hoje, mas eu jamais poderia deixar esse dia passar sem comentar a lamentável passagem de Elisabeth Taylor, aos 79 anos.
Nascida em Londres em 27 de fevereiro de 1932, Liz foi vítima de insuficiência cardíaca, depois de dois meses internada - e mais de dez anos enfrentando diversos problemas de saúde.
Liz Taylor começou a ganhar o Olimpo de Hollywood ainda na infância. Em 1944, aos 12 anos, consagrou-se como a jovem que se disfarça de menino - chegando a cortar os cabelos na linha "Joãozinho" e usar roupas masculinas - para vencer uma corrida de cavalos, no filme "A Mocidade é Assim".
Liz foi uma importante militante das causas gays. Em 1985, quando o amigo Rock Hudson morreu, vítima da Aids, a atriz iniciou uma campanha pelos portadores do vírus HIV. De lá para cá, participou de muitas iniciativas no ramo e nos últimos anos continuava investindo, organizando eventos para arrecadar milhões de dólares, revertidos para a pesquisa sobre a doença. Apoiava a associação criada por Elton John, que continua combatendo o HIV.
Sem dúvida é uma perda irreparável, e sua coragem, cercada por polêmicas e escândalos, fará falta por aqui.
Simplesmente lamentável.

Fontes: Sem Preconceitos
Globo.com

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segunda-feira, 21 de março de 2011

Uma luta cheia de fases...



Quanto mais conheço histórias e "saídas do armário", pessoas que contam suas experiências, adolescentes e jovens em especial, que estão nesse processo de se assumir, e prestes a dar o passo mais importante desse processo, que é contar aos pais, vejo como isso é dificil.

É um processo de ambas as partes, você tem que sair do armário, mas seus pais tambem tem que sair do armário deles. Exige paciência dos dois lados, e tanto você quanto seus pais, tem de ceder um pouco.

As pessoas costumam se referir a nossa orientação como "opção", como se fosse possível a cada um de nós, optar por ser ou não homossexual. Faz parte de uma orientação, não é uma escolha, é uma orientação movida por um desejo que ninguém possui o controle, sentimos atração por pessoas do mesmo sexo, e não há o que fazer contra isso. Não existe cura, porque não é doença. Lembro-me que há mais de um ano atrás, quando contei a uma amiga que eu era lésbica, ela me atirou a seguinte pergunta: "Nossa Jess, que triste, vc tem certeza? Não dá pra reverter?"

Achei o cúmulo do absurdo, do preconceito, enfim.. Mas como a mamãe e o papai me educaram muito bem, eu resisti firme e forte a vontade que senti de responder.. "a altura"..

Mas voltando ao processo, qualquer filho ou filha gay, deseja dos pais que eles entendam, e apoiam, que dêem força, já que o preconceito já é tão forte lá fora, então, você, como homossexual, tambem terá de ter paciência, tambem terá que ter muita calma, tratá-los com carinho, e mostrar-lhes a mesma confiança que você gostaria que eles lhe dessem, afinal, eles tambem estão no armário, do preconceito!

Não será fácil para eles se assumirem como "pais de um gay", mas calma, tudo vai dar certo.

Cada família é única, tem seus valores, sua ética, suas crenças, e claro, seus preconceitos. Mesmo assim, tem uma coisa em comum: Fases!

Todos terão fases para aceitar a homossexualidade dos filhos. Alguns aceitarão com mais facilidade, alguns, terão reações ásperas, exageradas até eu diria, mas não deixe de acreditar no amor deles, não deixe essa luta de lado.

Será como num livro, haverá capítulos de lágrimas, muitas lágrimas, tristezas , alegrias e alguns sorrisos tambem.

Mas, não salte páginas, não pule capítulos, pois muitos, são os finais felizes.
***Continua na próxima semana... 
Me acompanhe no Sapatilha de Papel

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segunda-feira, 14 de março de 2011

Viver com medo é viver pela metade..


Não quero mais ser figurante. Dizem tanto por aí que a vida é feita de escolhas, e essas escolhas geralmente são de pais, irmãos, amigos, quase nunca são suas. E porque? Sim, nos amam tanto que não tem ciencia de quando os sonhos deles acabam e os nossos é que começam. De quando eles terminam, e nós começamos. Sim, nós existimos, estamos aqui. O medo nos faz pensar que deixar alguém dirigir é mais seguro, sentar no carona, ou até mesmo no banco de trás. Isso vale, quando você ainda está inseguro e confuso de quem é, do que quer. Mas quando a ficha cai, hora de amadurecer né? Chega de ser figurante. Hora de ser o roteirista. Afinal, a história é sua, não? Saia do banco de trás e passe para o volante de sua própria vida. Sentada ali atrás, você não poderá protestar nem reclamar se o rumo tomado for o oposto do que você gostaria.  Sei que parece dificil, perigoso, dá medo. Mas você nunca saberá se não tentar. O importante é ser feliz, é mostrar que quem dirige, pilota a sua vida é você mesma, e haja o que houver, você continuará tentando, insistindo, não desistirá da felicidade. Você não está aqui a passeio, lute, corra riscos, faça valer a pena. E se não deu certo hoje, tente outra vez!
Sei que todas nós temos medos. Eu os tenho. E são muitos! Mas ele nos dominará, ou o dominaremos?
É aí que está a diferença.

“Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados.
Nosso medo mais profundo é que somos poderosos além de qualquer medida.
É a nossa luz, não as nossas trevas, o que mais nos apavora.
Nós nos perguntamos: Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso e fabuloso?
Na verdade, quem é você para não ser?
Você é filho do Universo. Fazer-se de pequeno não ajuda o mundo.
Não há iluminação em se encolher, para que os outros não se sintam inseguros quando estão perto de você.
Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós.
Não está apenas em um de nós: está EM TODOS NÓS.
E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas, permissão para fazer o mesmo.
E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença, automaticamente liberta os outros.”
(Nelson Mandela)

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sexta-feira, 11 de março de 2011

Pequenas Porções de ilusão

Existem pessoas que não sabem o significado da palavra FIM. Terminou, acabou, não é mais o que era.
Ficam tragando pequenas porções de ilusão, feito droga. O efeito colateral é bem conhecido: Tristeza, mágoa, depressão, feridas sangrando. Temos que aprender a virar a página, reconstruir, começar do zero, deixar ir embora o que tem que ir. Quando termina um relacionamento, é dificil desapegar da pessoa, dos sonhos e projetos construídos juntos, mas alimentar uma esperança quando é nítido que não há possibilidade de volta, é se auto destruir dia após dia.
Há alguns dias uma moça me contou que depois do fim de seu namoro, ela fala com a namorada diariamente, e a garota namora um menino irresponsável, que além de imaturo, ameaça a ex dela, diz que se ela continuar falando com a namorada dele, coisas ruins podem acontecer.
Mas se acabou, pra que continuar, manter contato, alimentar-se de esperanças vazias e impossíveis? O melhor é deixar a pessoa ir embora, se é isso que ela quer. Deixe-a, dê adeus. Vai doer, eu sei.
Mas a dor tambem ensina, tambem nos amadurece, acrescenta experiências produtivas no futuro.
É preciso aceitar os sopros que a vida dá, as mudanças que ela faz, os caminhos diferentes que ela trilha sem nos pedir licença ou permissão.

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu...."

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sexta-feira, 4 de março de 2011

Sequestro da alma: O peso de ser quem você não é

Sequestro é uma palavra que infelizmente faz parte do nosso dia a dia. Quando lê-se a palavra, você logo pensa em sequestro físico. O que rouba o corpo, que afasta a pessoa das pessoas que ama, sua familia, amigos, conhecidos, amigos de trabalho. Da rotina que já está acostumada, escola, faculdade, passeios, trabalho, viagens.. Esse sem dúvida é um sequestro humilhante, cruel, e quase sempre termina em tragédia. O sequestrador impõe as condições, e a vítima tem que obedecer, porque sua vida agora, depende do ser que está colocando um preço em sua vida. Veremos então quanto ela vale agora, quanto sua familia e amigos estão dispostos a pagar para te ter de volta. Em momentos, pessoas que já passaram por esse pesadelo, afirmam que começam a desacreditar no resgate, acha que a familia não vai poder ou lutar para conseguir o valor que lhe é pedido.  Acreditando que agora você só tem ao sequestrador, além de vulnerável, passa a ser dependente dele. Em tudo. É ele quem determina o que você come e quando come, e assim os dias vão se passando. Dias, meses, anos.. Quantos anos um sequestro pode durar? Não dá pra prever.
Da mesma forma que acontecem os sequestros físicos, acontecem os sequestros da alma.
Como assim Jess?
Sim, há um sequestrador, há um cativeiro, há sofrimento e lágrimas, dependência e vulnerabilidade, e tambem uma vítima: VOCÊ!
Esse sequestro pode ocorrer de várias maneiras, por vários motivos, mas vamos ressaltar um dos mais comuns: Quando você teme ser quem é, e passa a ser o que os outros querem que você seja.
Você se esconde em algum cantinho dentro de si e por fora fica a pessoa que todos querem ter por perto. Assim fica vulnerável, e o sequestrador pode aparecer. Lembro-me que quando eu não tinha mais como esconder de mim mesma que era lésbica, eu chorava, não sabia exatamente o que fazer, com quem conversar, a quem pedir conselho, e sempre que falava de uma forma discreta com alguém, as pessoas incrivelmente me diziam que isso era coisa da cabeça dos outros, que era uma escolha e ponto. E eu realmente passei a acreditar nisso, que era uma escolha, uma opção dos outros, e se eu tivesse que fazer essa escolha que decepcionaria e magoaria grande parte da minha família, eu escolheria o contrário.
Eu tinha apenas 14 anos e vinha de uma família preconceituosa. Comecei a frequentar igrejas e igrejas. Se aquilo tinha uma saída, eu a encontraria. Visitei igrejas de todos os tipos, grande parte, evangélicas. Não deixei de ir a católica enquanto isso. Diante do medo da reação da minha família, me tranquei dentro de um casulo que eu mesma fui tecendo. Era dor e solidão. Queria encontrar a fórmula perfeita para deixar de sentir atração por mulheres, mas essa tal fórmula nunca aparecia. Coloquei na cabeça que jamais ficaria com uma mulher, acreditando piamente que era o pecado máximo. Fiquei frágil, triste, vulnerável. Tive depressão na infância e depois de tantos anos sentindo falta de alguma coisa que não sabia bem o que era, descobri minha homossexualidade. Nessa vulnerabilidade, conheci meu sequestrador.
Ele fez seu papel como se tivesse nascido para desempenhá-lo. Observou, puxou papo, começou a frequentar a minha casa com desculpas como "grupo de oração", e derrepente vi na pressão dele uma tentativa. Sim, queria tentar um relacionamento tendo a certeza de que esqueceria essa "coisa de gostar de mulher"... Meu sequestro durou 1 ano e 6 meses. Comia, bebia e vestia o que ele queria, quando queria. Mentia e enganava pessoas de fé, não por vontade própria, mas por ser obrigada por quem tinha então, minha vida nas mãos. Chorava e sofria diariamente, era simplesmente um inferno. Fui afastada das pessoas que eu amava, da minha rotina, da minha alegria, da minha familia, da minha liberdade, perdi meu espaço, e em pouco tempo, não sabia mais quem eu era. Eu era uma boneca, um fantoche, que ia e vinha, mediante a vontade de quem prendia a minha vida.
Quando ele veio definitivamente morar em minha casa, as coisas pioraram. Então decidi sair daquilo tudo, afinal, ao longo do relacionamento, eu continuava atraída por mulheres, e isso, concluí que jamais mudaria. Foi então que o sequestrador de minha alma e minha personalidade decidiu por em cheque o quanto valia a minha vida. Quando recebi a primeira ameaça de morte, conversei com a minha mãe e pedi socorro. Ela nem pensou, pegamos as malas, as crianças, e mudamos de estado. Deixamos para trás tudo o que tínhamos, e todo o cenário do meu sofrimento, que até então, era desconhecido para a minha mãe.
O estranho é que mesmo depois de estar livre e tão longe de tudo, meu comportamento ainda era amedrontado, silencioso.. Tive de reaprender a ser quem eu era. Tive de reaprender a viver no mundo aqui fora, sorrir, ser feliz, começar do zero!
Hoje me sinto leve, completa, me sinto eu mesma. Lésbica sim, e não há como mudar isso. Fiz as minhas pazes com minha orientação e sou feliz. Deixei o cativeiro que me fazia infeliz.
Não sequestre a si mesmo. Não deixe ninguém sequestrar você. Aconteça o que acontecer, seja você, não tenha medo de sair do casulo, e se tiver, enfrente! Ame a liberdade e a alegria de viver o que sente mais intensamente do que seus próprios receios.
Teci um casulo, e nele, quase morri sufocada. Mas decidi ganhar asas antes. Voar e voar por aí, ciente dos perigos e mágoas, dores e alegrias que terei ao longo do caminho.


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